O primeiro de muitos
Olá, Interwebs.Okay. Isto é estranho. Já não tenho um blog a bastante tempo. Eu nem sei bem sobre o que será este blog. Nem sei se tem que ser alguma coisa. Nem tudo na vida tem que ter sentido, certo? Aha.
Sinto que escrever seja terapêutico - uma vez que um terapeuta de verdade é caro. Talvez eu consiga canalizar algumas dúvidas e medos, por aqui. Se os conseguir explicar. É esse o problema de quem vive anos a esconder os seus sentimentos por debaixo de camadas e camadas e camadas de self - temos problemas de expressão. As palavras atropelam-se. Os sentimentos não chegam. Estamos envoltos numa constante névoa de confusão. Chega a um ponto em que não consigo distinguir o problema de hoje de o de amanhã ou de á 10 anos atrás.
Começo por abrir as portas despejando um monte de nada em cima da mesa. Alguma vez sentiram como se vossa vida não fosse real? Muitas vezes penso nisso e nunca conseguia perceber até ver Inception (2010). A primeira vez que realmente este sentimento fez sentido para mim, foi quando vi Inception de Christopher Nolan - a personagem Mal (Marion Cottilard), mulher de Cobb (Leonardo DiCaprio) vive num constante estado de sonho. Ela e Cobb passaram o equivalente a 10 anos no seu subconsciente criando cópias de mundos reais, brincando aos Deuses e sendo maiores do que si mesmos. Quando acordam para a realidade, Cobb adapta-se, Mal ainda sente que sonha. Ela sente que a sua vida não é real. Que nada á sua volta é real, que se encontra num estado constante de sonho. A única maneira de acordar? A morte. Mal acredita de tal maneira que a vida real é um sonho que se atira de uma janela.
E quando vi a sua história, eu percebi. Eu sinto que vivo num constante estado de sonho e ilusão. Nada á minha volta parece real. Porquê? Porque as etapas da minha vida, pelas quais qualquer rapariga devem passar - não chegam. Não acontecem. Não a mim. Eu sei, eu sei, cada pessoa tem o seu ritmo, os rios da vida não correm na mesma direcção blá blá e mais blá, mas...eu sei do que falo. Uma sensação de que o tempo passa e nada muda. Dizer que sou late bloomer é favor...Acho que a minha vida vai lenta e calmamente só para me irritar. Acho que olharam para mim e disseram "o desafio dela vai ser a insatisfação constante. Vai sempre querer mais do que tem, mas nem sempre vai acontecer. E isso, vai deixa-la frustrada." E cometo o erro - o erro estúpido! - de comparar a minha vida á dos outros. Foco-me no que NÃO tenho, ao invés do que tenho. Naquilo que me falta, nas minhas falhas, nos meus erros e defeitos e não naquilo que tenho de bom. E vou e sigo nesta espiral de falta de inspiração, sem fim.
Ás vezes apetece-me fazer as malas e cair no mundo. Já pensei nisso. Seria o meu equivalente de acordar do sonho, tal como Mal - mas sem o suicídio, isso é muito dark. Prefiro desaparecer, mas continuar viva. A vida é bela. E há muito por fazer :p
Não. Não acredito que seja depressão. Tenho um sorriso demasiado bonito para estar deprimida (:p) é mais a minha sintonização mental e uma espécie de exaustão, pelo fato dos meus planos não estarem a correr bem. O que eu queria fazer e tinha planeado, ainda não aconteceu. E fico frustrada. Fico passada. Fico irritada comigo mesma e com os outros porque não me ajudam. No geral, acredito que seja demasiado dura comigo mesma, sem ter que o ser. Ninguém me aponta mais o dedo do que eu. Não aconteceu? Culpa tua. Não resultou? Fizeste algo de errado. Quando na verdade, nem sempre é assim...
Eu sou demasiado dura comigo mesma quando me comparo ás minhas amigas (ou raparigas que me são minimamente próximas) da minha idade e vejo o que que elas conseguiram. Sou demasiado dura comigo mesma quando me olho ao espelho e desvio o olhar porque não aguento as minhas borbulhas e manchas e não tenho vontade de sair. Sou demasiado dura comigo mesma quando me sinto culpada por querer comer um gelado. Demasiado dura por não ter carta, nem casa, nem carro (não necessariamente por essa ordem). Demasiado dura porque tenho que ser. Eu sou a minha pior inimiga, mas antes eu do que outra pessoa.
Não quer dizer que não tenha confiança nas minhas capacidades ou no que consigo fazer ou não acreditar que melhor coisas aconteceram na minha vida. Eu acredito que sim, que consigo tudo e muito mais, em parte é a razão da minha frustração. Acho que estou apenas farta de esperar for the good part e continuar a sentir como se fizesse parte de um sonho.
Não sei. Acho que passo por uma semana cansativa para corpo e espírito. Uma semana que começou com o pé esquerdo e que ainda só vai a meio e quando estamos assim parece que vivemos no fundo do poço.
ÓTIMO começo de blog! LOL! Enfim...
- rant over -
xoxo

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